Sabias que dormir abraçado ao seu parceiro ajuda a reduzir o estresse?
Por: Redação | Portal Psicologia 24 Horas |Tempo de leitura: ~4 minutos. Dormir abraçado ao parceiro vai muito além do romantismo é um acto com efeitos neurobiológicos mensuráveis. Estudos da University of North Carolina (Light et al., 2005) e da University of Pittsburgh (Troxel et al., 2009) demonstram que o contacto físico nocturno reduz os níveis de cortisol, estabiliza o ritmo cardíaco e melhora significativamente a qualidade do sono. O mecanismo central é a ocitocina, neuropeptídeo libertado pelo hipotálamo que sinaliza segurança ao sistema nervoso e inibe respostas de vigilância nocturna. Segundo Jakubiak & Feeney (2017), mesmo 10 minutos de toque afectivo antes de adormecer funcionam como um "amortecedor de stress", reduzindo a reactividade emocional no dia seguinte. Descubra o que a ciência diz sobre o gesto mais simples, e mais poderoso que pode transformar as suas noites e o seu equilíbrio emocional.
Sabias que dormir abraçado ao seu parceiro ajuda a reduzir o estresse?
Se já acordou com a sensação de que uma noite nos braços de quem ama foi mais reparadora do que qualquer outra, saiba que a ciência confirma: não é apenas romantismo. Dormir abraçado ao parceiro tem efeitos mensuráveis sobre o stress, o humor e a qualidade do sono e os estudos são cada vez mais claros a esse respeito.
A química do abraço nocturno
Quando dois corpos estão em contacto físico próximo durante o sono, o organismo liberta ocitocina a chamada "hormona do vínculo" ou "hormona do amor". Este neuropeptídeo, produzido no hipotálamo e libertado pela hipófise, tem um efeito directo na redução dos níveis de cortisol, a principal hormona do estresse (Heinrichs et al., 2003, Psychoneuroendocrinology). Em termos simples: o toque prolongado e seguro sinaliza ao sistema nervoso que não há ameaça, promovendo um estado de calma fisiológica.
Um estudo da University of North Carolina at Chapel Hill (Light et al., 2005) demonstrou que mulheres com maior contacto físico com os seus parceiros incluindo abraços prolongados apresentavam pressão arterial mais baixa, ritmo cardíaco mais estável e maiores níveis de ocitocina em circulação. Os efeitos foram independentes da actividade sexual, o que sublinha o valor do contacto físico por si só.
O que acontece no cérebro enquanto dormimos abraçados
Durante o sono partilhado com contacto físico, o cérebro tende a sincronizar padrões de actividade entre os dois parceiros um fenómeno estudado por Dreisoerner et al. (2021, Scientific Reports) que observou que o toque social reduz a activação da amígdala, região cerebral associada ao processamento do medo e da ansiedade. Com a amígdala menos reactiva, o organismo entra mais facilmente nas fases de sono profundo (sono NREM de ondas lentas), que são precisamente as mais restauradoras para a memória, o sistema imunitário e o equilíbrio emocional.
Adicionalmente, pesquisadores da University of Pittsburgh (Troxel et al., 2009) analisaram dados de 78 adultos em relacionamentos e concluíram que a qualidade do sono era significativamente superior nas noites em que havia contacto físico com o parceiro, associando este fenómeno à sensação de segurança que activa o sistema de apego e inibe respostas de vigilância nocturna.
Segurança, apego e sono reparador
Do ponto de vista da psicologia do apego, dormir abraçado activa o que John Bowlby designou de sistema de cuidado e proximidade um mecanismo evolutivo que sinaliza segurança e pertença. Quando este sistema está activado, o organismo desacelera: a respiração torna-se mais lenta, a tensão muscular diminui e o sistema nervoso parassimpático assume o controlo. É neste estado que o sono se torna verdadeiramente reparador.
Num estudo publicado no Journal of Social and Personal Relationships (Jakubiak & Feeney, 2017), os autores concluíram que o toque afectivo nocturno funciona como um "amortecedor de estresse": participantes que relatavam maior contacto físico com os parceiros durante a noite apresentavam menor reactividade emocional no dia seguinte e maior sensação de suporte social percepcionado.
Uma pequena posição, um grande impacto
Não é necessário dormir entrelaçados a noite inteira estudos indicam que mesmo 10 minutos de contacto físico antes de adormecer são suficientes para desencadear os mecanismos neurobiológicos descritos. O que parece importar não é a posição, mas a intencionalidade do toque: um abraço consciente, um gesto de proximidade que comunique presença e segurança.
Referências
- Heinrichs, M. et al. (2003). Social support and oxytocin interact to suppress cortisol and subjective responses to psychosocial stress. Biological Psychiatry.
- Light, K. C. et al. (2005). More frequent partner hugs and higher oxytocin levels are linked to lower blood pressure and heart rate. Biological Psychology.
- Dreisoerner, A. et al. (2021). Self-soothing touch and being hugged reduce cortisol responses to stress. Scientific Reports.
- Troxel, W. M. et al. (2009). Marital quality and the marital bed: examining the covariation between relationship quality and sleep. Sleep Medicine Reviews.
- Jakubiak, B. K. & Feeney, B. C. (2017). Affectionate touch to promote relational, psychological, and physical well-being in adulthood. Journal of Social and Personal Relationships